
Neste livro, reuni histórias de pessoas que precisaram aprender a conviver com o silêncio de quem amam. Através das vidas de Helena, Tiago e Clara, eu mergulho nas diferentes formas de sentir a saudade para mostrar que não existe um jeito certo, nem um tempo exato, para atravessar a dor.
Escrevi cada página com simplicidade e com toda a minha emoção, buscando oferecer um lugar de descanso para quem sente que o mundo perdeu a cor. Se você está vivendo o luto ou quer entender melhor o que alguém querido está passando, este livro é o meu convite para respeitarmos o ritmo de cada um. No fim das contas, o amor que fica é o que nos ajuda a seguir em frente. Um dia de cada vez.
Neste livro, reuni histórias de pessoas que precisaram aprender a conviver com o silêncio de quem amam. Através das vidas de Helena, Tiago e Clara, eu mergulho nas diferentes formas de sentir a saudade para mostrar que não existe um jeito certo, nem um tempo exato, para atravessar a dor.
Escrevi cada página com simplicidade e com toda a minha emoção, buscando oferecer um lugar de descanso para quem sente que o mundo perdeu a cor. Se você está vivendo o luto ou quer entender melhor o que alguém querido está passando, este livro é o meu convite para respeitarmos o ritmo de cada um. No fim das contas, o amor que fica é o que nos ajuda a seguir em frente. Um dia de cada vez.


Muitas vezes, a gente foge dos próprios sentimentos por medo da dor. Através das histórias de Helena, Tiago e Clara, você vai encontrar um espelho para as suas próprias emoções e entender que não há nada de errado em sentir o que você sente.

O luto é difícil e o medo de perder quem amamos machuca. Este livro não ignora essa dor; ele mergulha nela junto com você. É um processo honesto, escrito entre lágrimas, porque só quem entende o peso da saudade pode falar sobre ela com verdade.

Você vai descobrir que não está sozinho. O objetivo destas páginas é diminuir o peso daquilo que não conseguimos explicar, trazendo o conforto necessário para que você consiga respirar fundo e seguir em frente, um dia de cada vez.
Este livro é para quem vive o luto e sente que o tempo estacionou. Para quem vê saudade em cada detalhe e em cada lembrança.
E é também para quem quer ser abrigo. Para quem deseja acolher sem cobrar e amar sem tentar ‘resolver’ a dor de ninguém.
Porque, às vezes, a gente não precisa de respostas. A gente só precisa de presença.










Aos 26 anos, encontrei na escrita um lugar de sentido e de escuta. Sou apaixonado por histórias, e descobri nelas uma forma de transformar a dor em cuidado e o silêncio em palavras.
Sou natural de Porto Alegre, acredito que não existe uma fórmula mágica pra superar a morte de alguém que a gente ama , mas que nomear aquilo que dói pode tornar o peso mais suportável. Escrever, para mim, é uma forma de acolher o que muitas vezes não sabemos explicar.
Busco, através da escrita, tornar o peso da saudade mais leve. Meu livro de estreia, A História de Quem Ficou, é um convite para olhar de frente para as marcas da perda com sensibilidade e coragem. É um abraço em forma de páginas para quem precisa seguir, mas não quer esquecer.
Eu queria que você pudesse entrar na cozinha da minha infância só por um minuto. Não para olhar as paredes, mas para respirar fundo. O ar ali era diferente de qualquer outro lugar; tinha uma textura morna, um perfume de madeira recém cortada que vinha da oficina nos fundos e o cheiro denso do café que minha mãe acabava de passar no coador de pano. Era um cheiro que abraçava a gente antes mesmo de meu pai, o Seu Antenor, dizer “bom dia”.
A casa era toda de madeira, construída por ele, tábua por tábua. E, por ser de madeira, ela parecia estar viva. Se o sol batia forte, as paredes estalavam como se estivessem se espreguiçando; se o vento soprava, a casa assoviava baixo. Minha mãe conhecia cada um desses sons. Ela sabia dizer se era o vento na fresta da janela ou se era o meu pai chegando da oficina pelo jeito que o assoalho reclamava.
No centro de tudo isso, estava ele.
Meu pai era um homem que parecia feito da mesma matéria firme que usava no trabalho: forte, sólido e impossível de dobrar. Quando ele entrava na cozinha, minha mãe já deixava a xícara de esmalte separada sobre a mesa. Ele sempre usava camisas de flanela, e quando passava por mim, o rastro que deixava era o de um homem que passava o dia trabalhando com as mãos. Ele cheirava a trabalho honesto e a serragem fresca.
Ele se sentava sempre no mesmo lugar, na cabeceira daquela mesa imensa que ele mesmo fez. Ninguém nunca precisou dizer que aquele lugar era dele; era uma lei natural da casa. Minha mãe sentava ao lado dele, e eu, ainda pequena, ficava observando os dois. Eu via o jeito que ele apoiava os braços musculosos na madeira e como ela olhava para ele, com um silêncio que dizia que tudo estava em paz.
Ele tinha uma calma que me dava a certeza de que nada de ruim aconteceria enquanto estivéssemos ali, naquela cozinha de teto alto e chão que rangia.
O melhor momento era quando ele pegava o violão.
Ele não cantava. Meu pai era um homem de poucas palavras e de uma voz que ele guardava para o essencial. Mas quando ele apoiava o instrumento no colo, as cordas de aço falavam por ele. O som batia nas paredes de madeira da cozinha, criando um eco que fazia o meu peito de criança vibrar. Eram melodias graves, bonitas, que preenchiam todos os cantos. Minha mãe continuava seus afazeres na pia, mas eu notava que ela diminuía o passo, como se quisesse caminhar no ritmo das notas que ele tirava.
Eram mãos grossas, calejadas pelo uso da lixa e das ferramentas, mas que tocavam as cordas com uma delicadeza que eu não conseguia parar de olhar. Para mim, aquele som era simplesmente a voz do meu pai. Era a música que a nossa casa fazia para nos proteger do mundo lá fora.
— Escuta o som, Clara — ele dizia, dando um sorriso de lado só para mim, enquanto minha mãe colocava mais um pouco de café na xícara dele. — A madeira guarda a música dentro dela. A gente só precisa saber como tirar.
Havia uma alegria tão real naquela cozinha que eu achava que podia pegá-la com as mãos. Era o prazer de ver o meu pai ali, na força da sua idade, e minha mãe cuidando do calor do nosso lar. Eu sentia um orgulho imenso de ser a filha daqueles dois. Naquela época, o café sempre parecia mais gostoso e a vida parecia ser feita de uma madeira que nunca ia quebrar. Eu não tinha pressa de crescer, porque ali, naquela cozinha, tudo era eterno.